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RACISMO?

Há tempos, escrevi qualquer coisa como isto, “sou daltónico, não vejo colorações, vejo pessoas”. Não é que o pensamento seja profundo ou brilhante, mas ilustra o que penso e sinto. Há dias, por razões diversas, uma senhora deputada falava em virgens arrependidas. Alguns temas fracturantes são preocupações inconstantes de virgens arrependidas, que em tempo próprio não cumpriram o que o dever lhes exigia. Bem o sabemos, a cor da pele, como a religião, há muito que estilhaçam vidas, mas pouco se faz para eliminar esta calamidade mundial. Um país que põe a economia à frente das pessoas, pouco faz para acabar com a corrupção e investe pouco na educação, não deveria de estranhar os comportamentos boçais que ainda grassam por aí. Faz parte da alma humana, o estranho, o desconhecido, a diferença, é sempre fonte de desconfiança. Séculos de (suposta) evolução, já deveriam de ter posto fim a estas desgraças sociais, mas se assim é, invista-se mais na educação. Educai os homens que as bruxas terão o …

CONCURSOS LITERÁRIOS

Nos últimos tempos participei em alguns concursos literários, para ser mais exacto, em quatro. Não venci nenhum deles, nem fui o heróico contemplado com uma menção honrosa naqueles que a proporcionavam. Depois do juízo que formei através dessas experiências, considerei adequado deixar de participar. Não sou hipócrita, gostava de ter sido o ilustre vencedor de, pelo menos um desses concursos, não tanto pelo valor do prémio, escasso, mas sobretudo pelo prestígio dos jurados. Quero acreditar que, quando aqueles que nos julgam têm reconhecido e inegável mérito, somos bafejados, ainda que em jeito de suave brisa, pelo seu toque de brilhantismo. Não escrevo a pensar nos prémios, mas teria sido um bom incentivo. Quem não gosta de ver o seu trabalho reconhecido!?  Deixei de participar por variadíssimas razões, entre elas, as exigências absurdas de manuscritos impressos aos magotes. Encontramo-nos na época do digital, mas os Velhos do Restelo teimam em onerar os autores, a maioria deles em iníc…

ESCRITOR?

Se considerarmos o simples acto da escrita, somos todos escritores. A questão que se coloca, é a de saber se a simples publicação de um livro transforma alguém em escritor. E se forem 4, 5 ou 15? Se navegarmos pelas redes sociais constatamos que, sem pejo, são muitos aqueles que se intitulam de tal proeza. Não me detenho sobre a arrogância de tal pregão, autoproclamado, nem opino sobre o que seja ou não literatura, concentro-me no merecimento do epíteto. Quem é digno de tal distinção? Quem o define, o público, a crítica, o número de vendas, a exposição nas montras, a qualidade da escrita, o encanto das histórias, os filmes que as ilustram?... Ou será que, como em tudo na vida, existe um conjunto de factores – no lugar certo à hora certa – que determinam tudo isso? É que, quando meditamos sobre o tema, alargando a dúvida a diversas áreas (porque não quero mencionar os vivos), entre outros, ocorrem-me nomes como Van Gogh, Emily Dickinson, ou Kafka, que em vida não publicaram ou sobre os quais …